A noite estrelada – Van Gogh — Falando às paredes

A noite tem mais cores e contornos do que o dia quando observada atentamente.

Van Gogh percebeu isso ao retratar tão maravilhosamente uma paisagem noturna, dentro da estética do Impressionismo.

O pintor não teve o reconhecimento pretendido em vida, mas desde a descoberta de suas obras pelos renomados analistas de arte até os dias atuais, Vincent Van Gogh é alvo de admiração.

Algo intrigante em relação ao trabalho de Van Gogh é que, talvez, a admiração que ele desperta, quando analisada à fundo, além de fruto da genialidade ímpar da qual era dotado, pode estar relacionada à sua triste trajetória.

Não é incomum sentir-se injustiçado ao ponto de acreditar num mundo em desconcerto. Mundo este tão injusto ao ponto de enaltecer pessoas claramente ruins e ignorar pessoas boas. E não seria esse o caso de Van Gogh?

Um pintor de talento nato injustiçado ao ponto de não ter reconhecimento durante a vida. Um pintor que sofreu com a solidão ao ponto de pintar apenas as suas botas e a paisagem de seu quarto. O pintor que arrancou a própria orelha num momento de cólera.

Não seríamos todos um pouco parecidos com Van Gogh? A análise dessas injustiças faz parte de cada um de nós, em maior ou menor grau. Todos somos vítimas inegáveis de questões nas quais parece que o senso de justiça nos abandonou e ninguém percebeu. E ninguém nos defendeu. E ninguém se importou. E, por isso, morremos solitários ao ponto de pintar nossas próprias botas. Mesmo que em sentido figurado.

Van Gogh não viveu para presenciar a própria arte despontando reconhecida por artistas e leigos. Talvez seja nossa responsabilidade relembrar ao mundo esse triste episódio e fazer justiça a Vincent Van Gogh, a quem todos nós nos assemelhamos em algum momento de nossas vidas. Temos um pouco de Van Gogh dentro de cada um de nós.

Que todos vivamos a ponto de sermos reconhecidos pelo que de bom fizemos à humanidade. E se assim não for, que, pelo menos em algum momento, o fruto de nossas ações ecoe pela eternidade.

Não nos esqueçamos de Van Gogh. Não nos esqueçamos do quão bom podemos ser, mesmo que ninguém perceba. Que saibamos reconhecer nossas virtudes mesmo quando o mundo insistir em ignorá-las. Afinal, as virtudes são nossas e esse reconhecimento precisa partir de nós.

Que mais podemos esperar desse mundo do que deixar um bom legado que permanecerá além do curto tempo de nossas breves vidas?

Van Gogh, por isso, é um vencedor. Ele é quem fez com que víssemos a noite a partir de seus olhos de artista. A noite nunca mais foi a mesma depois da existência de Vincent Van Gogh. Não haveria legado maior.

 

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