Sistema eletrónico no carro avisa as autoridades em caso de acidente

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A Europa está finalmente a implementar o sistema eCall.
A Comissão Europeia fez circular o número de duas mil vidas potencialmente salvas em cada ano para justificar um projecto que foi anunciado em 2005, que devia ter terminado em 2009 e que prevê estar a funcionar a partir de Abril de 2018 para quem compre um carro novo.

O eCall é um sistema pan-europeu de chamadas de emergência. Este sistema tem de ser instalado nos veículos e permite que seja efetuada uma chamada de emergência sempre que seja detetado um acidente.
Considerado prioritário pela Comissão Europeia e pelo Governo, o sistema eCall irá contribuir para a redução do número de vítimas e feridos nas estradas portuguesas. Sempre que seja detetado um acidente, o dispositivo eCall, instalado nos veículos efetua uma chamada de emergência que é encaminhada para o public safety answering point (PSAP) mais adequado, de acordo com os dados recebidos (nomeadamente a localização precisa do veículo).
Segundo a ANACOM, o sistema utiliza as estruturas do número europeu de emergência, permitindo a sua interoperabilidade em toda a União Europeia.
A chamada para o 112 pode ser desencadeada de forma automática em caso de acidente grave, graças aos sensores instalados nos veículos, ou manualmente pelos ocupantes.
Em declarações à LUSA, Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna, referiu que o sistema eCall vai permitir reduzir o tempo entre a ocorrência do acidente rodoviário e a chegada dos serviços de emergência médica ao local, uma vez que a tecnologia instalada no veículo confere acesso direto e automatizado à linha de emergência 112 e uma localização precisa e imediata do sinistro. Jorge Gomes destaca ainda o facto de Portugal estar na vanguarda da instalação desta “nova” plataforma. Este sistema já está em funcionamento na Holanda, Eslovénia, Suécia e Finlândia.
O sistema eCall tem que estar obrigatoriamente instalado em todos os novos modelos de veículos ligeiros de passageiros e comerciais à venda na União Europeia a partir de 31 de março de 2018.

A obrigatoriedade de os veículos terem o sistema instalado não quer dizer que os países europeus estejam sequer prontos para receber os dados. É verdade que foi preciso aprender muito. É verdade que foi necessário tentar coordenar países com políticas e visões muito diferentes em relação ao que deve ser a política e a prática do 112. É que este número sendo europeu corresponde a coisas muito diferentes de país para país.

Portugal entrou tarde e sai bem. Acaba por estar na linha da frente da implementação, a verdade é que com apenas dois centros do 112 temos a tarefa de certa forma facilitada mas a acreditar nos testemunhos que ouvi depois de finalmente entrarmos todos os envolvidos conseguiram agilizar a operação e a parte de investigação nacional. Por exemplo foi cá que se descobriu que alguns telemóveis ao fazer uma chamada de emergência seriam identificados como sendo uma falsa chamada de eCall mas sem os dados correctos.

Permitam-me uma nota. Antes de entrar na sala onde os elementos da GNR e da PSP atendem as chamadas de emergência estive numa reunião com as pessoas que podem ver nas entrevistas e com outros responsáveis e operacionais disto tudo. O Intendente Carlos Martins mostrou-se algo preocupado com a captação de som dentro da sala de operações. Naturalmente e como considero ser meu dever afirmei que nunca iríamos passar qualquer som, ou imagem, que pudesse violar a privacidade das pessoas que para lá ligam. Primeiro estivemos numa espécie de mezanine de onde víamos a operação por detrás de um vidro. É uma imagem absolutamente calma, vemos pessoas sentadas a falar ao telefone de forma aparentemente descontraída, mas estamos a ver apenas as costas e não nos chega o som. Depois lá desci à sala para o Pedro Gois fazer as imagens necessárias e eu os meus “vivos” que é calão de TV para quando o jornalista fala directamente para a câmara. E aqui começou a tensão. Começo a ouvir de uma lado a menção de facadas, do outro o som estridente do pânico absoluto que me chega mesma através do auricular do agente ao meu lado, e garanto que isto para quem não está habituado começa a mexer com as emoções. Digamos que não é fácil, de certeza que não é fácil estar ali sentado a encaminhar, a ajudar com a calma que exige recolher os dados, os nomes, as ruas, quando do outro lado só querem uma ambulância já, um carro com agentes já. Nada irá acontecer sem que a situação seja avaliada por estes homens e sobretudo sem que eles consigam que apesar do pânico alguém lhes forneça a informação preciosa para que depois a ambulância ou o carro patrulha possa chegar o mais depressa possível. E no meio disto um deles diz… este 915 não desiste, já lhe liguei de volta e atende mas não diz nada. Já ligou mais de vinte vezes. 915 é a terminação do número fixo ou móvel de alguém que estava muito perturbado ou é profundamente irresponsável. 915 é a terminação do número de telefone de alguém que está a dar cabo dos nervos a um homem que durante o seu horário de trabalho tem como missão encaminhar a ajuda necessária a quem dela precisa, já urgentemente, sem perturbações.

Mais de 20 telefonemas de um qualquer 915. É nítido que os responsáveis têm receio que pela facilidade de carregar num botão o eCall se o preste a brincadeiras graves como esta. Quando fiz a pergunta falaram-se na necessidade de educação cívica, fica a esperança. Eu tão cedo não esqueço a tensão que senti primeiro e depois a revolta…

ecall

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