Nem tudo é certo, nem tudo é errado

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Filipe Miguel

Nada nesta vida pode ser considerado cem por cento certo ou cem por cento errado.
Às vezes não há certo, nem errado. Não há uma escolha. Às vezes é apenas uma circunstância ou uma influência. Mas uma coisa é certa, é que tudo faz parte e temos que tirar partido disso da melhor maneira possível.
Por vezes na vida temos momentos de incoerência entre o que se pensa e o que se faz. Ficamos tristes e desiludidos connosco mesmo, pensamos que não conseguimos mais continuar pelo mesmo caminho, mas o folgo volta logo e começamos de novo a respirar, porque está na nossa génese viver, acreditar, reviver ou desacreditar, apaixonar, errar, amar, sofrer e continuar.

Desistir? Nunca!
Sabemos voar. Sabemos ir mais além. Sabemos que o mais importante é o que se vê com o coração. Mesmo quando o traímos e o desiludimos, quando já não queremos mais caminhar, porque…

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Loja das Meias, Rossio, Lisboa

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A Loja das Meias surgiu há mais de 100 anos em 1905, na esquina do Rossio com a Rua Augusta e durante muito tempo vendia somente meias e espartilhos que cedo se tornou referência vanguardista.
A história da Loja das Meias confunde-se muito naturalmente com a história da cidade de Lisboa. O local onde se situa o seu primeiro estabelecimento, no ângulo do Rossio com a Rua Augusta, tem sido o palco espontâneo do pulsar da capital.
Depressa a Loja das Meias importou tendências de moda das principais capitais europeias e fez vista em Lisboa com uma variedade de perfumes, acessórios… e as tão cobiçadas meias de vidro!
Todos os grandes acontecimentos, desde as visitas dos Chefes de Estado às manifestações políticas e sociais passaram à porta da Loja das Meias.

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Em 1925 o espaço foi ampliado passando a ocupar o primeiro andar. Foi instalado o primeiro elevador em estabelecimentos comerciais. As rasgadas montras introduzindo o conceito de montra temática, a Loja das Meias ganha numerosíssimos prémios.
Em 1938 realizam-se obras de modernização da loja, sob o risco do arq.º Raúl Lino e colaboração dos artistas plásticos mais famosos da época, tais como Fred Kradofer e Tomás de Mello, são remodeladas as fachadas exteriores, ampliada a Loja e criadas novas secções, sendo considerado então o mais «parisiense» e luxuoso do Rossio.

Com a 2a Guerra Mundial passaram por Lisboa e são clientes da Loja das Meias, personalidades como Primo de Rivera, Duque de Windsor, Elsa Schiaparelli, Jean Renoir, Guillermina Suggia, Barão de Rotschild, Reis Humberto de Itália, Carol da Roménia, entre outros.

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Na década de 60, “the golden Sixties”, a Loja das Meias sempre atenta à dinâmica da história, soube aproveitar a prosperidade da época e faz a sua 3ª grande remodelação. O projecto é do Arquitecto Carlos Tojal, que teve a colaboração do artista plástico Querubim Lapa. A partir das obras de modernização e ampliação do espaço, dá-se um grande desenvolvimento comercial: na Secção de Perfumaria aparecem as mais conceituadas marcas internacionais e é criado o 1º balcão da Estée Lauder em Portugal. A Loja das Meias abre-se a uma nova clientela que surge nos anos 60 com grande poder de compra: os jovens. À clientela feminina e masculina é oferecido uma impressionante selecção de pronto a vestir, importado sobretudo da Itália, França e Inglaterra. São introduzidas grandes marcas como Daniel Hechter, Charles Maudret, Christian Dior, Ted Lapidus, Mary Quant entre outras. Dá-se início à sapataria, na Secção Acessórios, com a venda de sapatos Christian Dior. Cria-se um novo sector de vendas com artigos de sportswear. No final da década de 60 a Loja das Meias introduziu pela 1ª vez em Portugal as calças jeans da marca Levi’s, que fizeram o maior sucesso.

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Em 2016, a Loja das Meias da Rua Castilho, aberta ao público desde a década de 1970, mudou-se para a Avenida da Liberdade e com ela as conceituadas marcas a que a Loja nos habituou. O número 254 abre portas para um espaço contemporâneo e decoração minimalista, assinado pelas arquitetas Cristina Santos Silva e Ana Menezes Cardoso. Com a mesma elegância e um extra de requinte, a Loja das Meias dedica duas shop in shop à Dior e à Céline e um atendimento premium aos seus clientes. Peças de luxo continuam na essência de uma casa que cem anos depois continua a escrever a sua história.

Livro Amores Clandestinos

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“…
A vida poderia ter incluído um comando.
Assim passava-mos à frente mais facilmente, se não estamos a gostar do que estamos a viver, passamos para outro canal mais divertido. Poderíamos escolher em que “canal” poderíamos viver, como quem que mais gostaríamos de estar.
…”

Filipe Miguel

1 Manual de instruções e comando da vida Parte 1   Amores Clandestinos.PNG

Este pequeno excerto foi retirado do livro “Amores Clandestinos”.
O livro já se encontra à venda nos locais habituais e em http://www.chiadobooks.com/livraria/amores-clandestinos