Tradições nas romarias e excursões antigamente

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Fazia parte de qualquer excursão o imprescindível farnel, normalmente levado num tacho acondicionado numa cesta de vime. Havia quem preparasse pataniscas de bacalhau que se acompanha bem com o arroz bem quentinho.

 

Durante várias décadas do século passado, os nossos conterrâneos organizavam excursões e romarias por todo o Norte de Portugal e, às vezes, até Lisboa. As mais comuns e mais fáceis de organizar eram aquelas que se destinavam ao Furadouro, uma vez que mesmo a pé lá se chegava sem dificuldade.

Fazia parte de qualquer excursão ou romaria o imprescindível farnelnormalmente levado num tacho acondicionado numa cesta de vime.

A tradição era organizar grupos grandes em que cada família levava o seu próprio farnel, deslocava-se muitas vezes de camioneta, escolhendo invariavelmente um local abrigado do sol, numa mata, onde se estendia a toalha aos quadradinhos, e se colocavam os pratos, os talheres, o tacho do arroz embrulhado em papel de jornal que permitia mantê-lo quente, frango para os mais afortunados, broa de milho e garrafões de vinho verde ou americano. Havia quem preparasse pataniscas de bacalhau que se acompanha bem com o arroz bem quentinho.

Os destinos mais comuns eram o Sameiro, o Bom Jesus de Braga, a Santa Luzia em Viana do Castelo, a Ria de Aveiro, o Senhor da Pedra, por vezes a Fátima e, mais raramente, a Lisboa. Também se faziam excursões à Serra da Estrela para ver a Volta a Portugal, a Entre-os-Rios, à Nazaré ou à Figueira da Foz. Qualquer pretexto era bom para se fazer uma excursão, um piquenique bem regado e a foto do grupo para memória futura.

Normalmente, a excursão incluía uma visita a um local de culto cristão, excepto quando era mesmo turística, como a ida ao Jardim Zoológico de Lisboa, a Entre-os-Rios ou à Serra da Estrela, ou de carácter mais lúdico. Já no final do século XX, muitas excursões eram realizadas por famílias inteiras, levando muitas vezes um tocador de concertina para se fazer um bailarico ou incluindo um tocador de cavaquinho, reunindo tios, primos e primas de várias gerações.

Nas idas ao Bom Jesus era comum apostas para ver quem chegava lá acima primeiro ao final da escadaria, com um desnível de 116 metros e com mais de 580 degraus, do princípio ao fim. Isto era reservado aos que se achavam grandes atletas. Os outros usavam o elevador que demora uns 3 minutos a chegar lá acima. Este fenicular foi inaugurado a 25 de março de 1882, sendo o primeiro a ser instalado na Península Ibérica, um dos sete do género no mundo, e sem registo de qualquer acidente. É atualmente o mais antigo no mundo a utilizar o sistema de contrapeso de água.

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