RIO LIS

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Nascente
O rio nasce a 0,5 km do lugar das Fontes. Esta localiza-se a 400 metros de altitude, na terminação do Maciço Calcário Estremenho (que constitui o 2º maior reservatório subterrâneo do país). No local existem várias exsurgências, onde no Inverno a água proveniente da serra d’Aire acaba por brotar à superfície.

A nascente tem uma enorme variação sazonal, pelo que nos dias chuvosos podemos ver a água a brotar de uma forma violenta no que tradicionalmente se chama de Nascente, enquanto no Verão o rio nasce apenas na vila, 0,5 km abaixo. O espaço dota de uma rica flora característica do maciço calcário Estremenho, pelo que outrora o local foi denominado Mata Real.
História

O rio Lis outrora foi um rio de muito maiores dimensões do que o que é hoje: já foi navegável em toda a sua extensão, teve cais de embarque e ao longo do mesmo já se construíram 17 embarcações nos estaleiros de construção com a madeira do pinhal de Leiria, ainda no séc. XIX. Na verdade hoje podemos ainda encontrar vestígios de um estaleiro localizado na foz do rio, a norte da Praia da Vieira (na foto). O rio Lis já contou com um grande caudal, e prova disso é o depósito de sedimentos com calhaus rolados de 25 cm apenas a 1,5 km da foz.
Foi essa a razão que levou também a uma ocupação pré-histórica da região, pelo que foram encontrados vários vestígios arqueológicos em Leiria e Monte Real.

Durante a Idade Média foi dos mais importantes meios de desenvolvimento para a região. A força motriz do rio tem sido usada em benefício da população circundante, sendo usado como meio de transporte e também como fonte de energia. Foi em Leiria que surgiriam os primeiros moinhos movidos a água, e graças a isso surgiu a primeira fábrica de papel na cidade. Também proporcionou o desenvolvimento de algumas indústrias da região como a da moagem do trigo, do milho e das rações.

Pelo seu grande leito e caudal sempre foi um grande meio de transporte sedimentar, mas a uma dada altura a capacidade de vazão do rio tornou-se insuficiente para a quantidade de sedimentos que o rio transportava, e o houve várias alturas em que o assoreamento do rio foi tão grande que ocorreu um bloqueio do leito devido à sucessiva deposição de camadas de areia, acabando assim por inundar as áreas em redor.

Desde então que tanto o caudal como o leito do rio têm vindo a diminuir até ao seu aspeto atual. Podemos afirmar que o envelhecimento do rio foi rápido, demorando algumas centenas de anos, provavelmente devido à ação antrópica no seu leito e margens.

Concluímos então que a um nível histórico o rio Lis foi essencial para a região, mas foi também em alturas a causa para o mal-estar da população, ou porque entupia e inundava os campos de cultivo a jusante ou porque impedia o transporte de sedimentos por ação do vento (o que é possível constatar com a ausência de dunas eólicas a sul do Lis), contribuindo para a erosão das praias a sul do rio.

 

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