São José de Calasanz

José de Calasanz foi um religioso canonizado pela Igreja Católica e fundador da primeira escola pública cristã e da Ordem Religiosa das Escolas Pias. Estudou nas universidades de Lérida, Valência e Alcalá de Henares, onde se doutorou.

Vida e obras
José Calasanz nasceu no ano de 1557, em Peralta de la Sal, diocese de Urgel, em Aragão, Espanha e era filho de pais nobres e ricos. Profundamente religiosos, cuidaram de dar ao filho uma educação sólida, não descurando o elemento científico. Tiveram a grande satisfação de ver coroados de belo êxito os seus esforços.
O pequeno José, dentre os companheiros de infância, distinguia-se pela extraordinária caridade, e pelo espírito de oração. Todos lhe queriam bem, e grande era a influência moral que exercia sobre os condiscípulos.
Ordenou-se sacerdote em 1583, e depois de ordenado, trabalhou por algum tempo na diocese de Lérida e de La Seu d’Urgell; em 1592 foi para Roma onde abriu as primeiras escolas de crianças pobres e abandonadas. Logo outros sacerdotes se lhe juntaram e assim nasceu a Ordem Religiosa das Escolas Pias, que se estenderam rapidamente pela Itália, Espanha e Alemanha. Estes sacerdotes se lhes deu o nome de escolápios. Por toda a vida dedicou-se à educação da juventude.

Tinha por ocupação predileta reunir crianças pobres para com elas rezar ou instruí-las na doutrina cristã. Terminado o curso primário, José estudou Filosofia e Direito, em Lérida, onde defendeu tese com grande brilhantismo, sendo-lhe conferido o grau de doutor em Direito.
Contrário aos planos do pai, que desejava ver o filho em elevada posição social, dedicou-se ao estudo da Teologia, na Universidade de Valência.
Para se esquivar às perseguições de uma senhora nobre e influente, transferiu-se para Alcalá, de Henares, onde continuou os estudos. Já naquela ocasião começou a prática de penitenciar o corpo, para treiná-lo na luta contra as paixões.
Em 1579 morreu-lhe numa guerra, o único irmão – Pedro. Quis então o pai que José voltasse para casa, e tomasse estado; desistiu, porém, da sua insistência, vendo que a proposta não era do agrado do filho. Assim José pôde continuar os estudos e formar-se em Teologia. Mais tarde o pai voltou a pleitear as idéias sobre casamento. José caiu gravemente doente. O restabelecimento do jovem, um verdadeiro milagre, foi por todos atribuído à cedência do pai na questão referida.

Uma vez conseguida a aquiescência paterna, José ordenou-se em 1585.
Seu desejo era viver na solidão; sem dúvida o teria realizado, se um amigo, o Bispo de Lérida, João Gaspar de Figueira não o tivesse convencido da obrigação de dedicar o seu talento aos trabalhos na vinha do Senhor. “Tua vocação – escreveu-lhe esse Bispo – é a de lutar. É teu dever entregar-te à luta pela salvação de tua alma e de outros, e não podes, para tua tranquilidade, deixar a Igreja no meio do combate”.

Estas palavras profundamente impressionaram o jovem sacerdote, que imediatamente abandonou a casa paterna, e se pôs às ordens do Prelado.
Nova Castela, Aragão e Catalunha foram-lhe durante oito anos, o campo de trabalhos apostólicos. Com resultado extraordinário, trabalhou pela pacificação das famílias e pela reforma dos costumes. Uma voz interna, porém, como em visão singularíssima, chamava-o insistentemente a Roma, para onde de fato se dirigiu, em 1592.
Na capital da Cristandade se dedicou ao ensino da infância. O tempo que sobrava, pertencia à oração, à visita aos doentes e a outras obras de caridade. Quando irrompeu a peste, ele e São Camilo se sacrificaram no serviço dos doentes e no sepultamento dos mortos. Todas as noites visitava as sete igrejas principais da cidade.
Para dar à sua vida uma orientação mais positiva, fez-se inscrever na irmandade da doutrina cristã. Vendo, porém, que sozinho não lhe era possível realizar os planos de sã reforma do sistema escolar vigente, associou-se com alguns homens piedosos e, em Setembro de 1597, abriu as primeiras escolas gratuitas.

Aos alunos pobres a diretoria fornecia gratuitamente os necessários objetos escolares e roupa. Essas escolas popularizaram-se de tal maneira, que Felipe III, da Espanha, desejou a volta de José para sua terra, e ofereceu-lhe um Bispado. O humilde servo de Deus, porém, preferiu ficar na Itália.
Para dar à obra a garantia de subsistência segura, concebeu o plano de fundar uma Congregação. Os trabalhos do santo homem eram visivelmente abençoados por Deus. A matrícula dos alunos de José Calazans e dos companheiros atingiu em pouco tempo o número de setecentos. Tão brilhantes resultados e principalmente o bom espírito que reinava entre os estudantes, chamaram a atenção do Santo Padre, que nomeou dois Cardeais para examinarem a obra das assim chamadas Escolas Pias. A impressão que estes levaram, foi a mais grata possível, e o Cardeal Antoniani doou uma grande fortuna às escolas de José Calazans.
Em 1617, o Papa Paulo V reuniu as Escolas Pias, dando-lhes a feição de uma Congregação, cujos, membros viveriam em comunidade, sob a observância de uma regra e dos três votos – pobreza, castidade e obediência.
Clemente IX em 1699, concedeu aos religiosos das Escolas Pias novos privilégios, e deu aos votos por eles emitidos o caráter de votos solenes. A Ordem propagou-se na Itália, na Espanha, na Áustria e Polônia, tomando grande incremento nesses países.
José Calazans viveu unicamente para sua obra, dedicando-se de uma maneira heróica ao ensino de moços pobres. Os sacrifícios, as penitências mereceram-lhe distinções extraordinárias de Deus.

Diversas vezes lhe apareceu a Santíssima Virgem, cujo culto lhe era peculiar desde a infância, e cuja devoção não se cansava de recomendar à mocidade.
Deus deu-lhe também o dom de ler nas consciências dos outros, de conhecer coisas futuras e distantes. Não eram raros os casos de praticar milagres em presença dos alunos.

A última comunhão de São José Calasanz
No dia 22, sentindo-se próximo do fim, recebeu o viático e passados três dias entregou sua alma ao Criador. Multidões acorriam a vê-lo pela última vez e milagres se operavam em quantidade. A vox populi já o exaltava, antecipando o que a Igreja declararia 100 anos depois, ao concluir um processo com documentos e provas indubitáveis: José de Calasanz praticou as virtudes em grau heróico.

Morreu aos 90 anos, em 25 de agosto de 1648, em Roma. Anos depois, em 1748, foi aberto o processo para sua beatificação pelo papa Bento XIV e, em 16 de julho de 1767, foi canonizado pelo papa Clemente XIII. Em 1948, o papa Pio XII declarou José de Calasanz como patrono das escolas cristãs.
Várias ordens religiosas seguem o seu carisma e espiritualidade, entre elas as escolápias e a calasancias.

Oração:
Deus, nosso Pai, São José Calasanz dedicou a sua vida em favor das crianças carentes e marginalizadas de seu tempo. Ainda hoje esta chaga continua sangrando não somente em nossas grandes metrópoles, mas também nos campos e nos lugares mais afastados. Vítimas da fome, a miséria, a violência dos adultos, das contradições humanas, milhões e milhões de crianças, espezinhadas em seus mais fundamentais direitos, perdem-se nessa travessia de vida sem nunca chegar. São tragadas por este mundo que de nós, adultos inconsequentes, herdaram. Elas clamam pelo pão que mata a fome, o pão a educação, do amor, da ternura e do afeto, da participação, de uma vida digna e humana, o pão da justiça e da verdade.

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