O último concerto ao vivo dos Beatles

Foi a 29 de agosto de 1966, que teve lugar ao derradeiro concerto dos Beatles ao vivo, no Candlestick Park, na cidade de San Francisco, Califórnia.
Composto de quatro jovens ingleses de Liverpool (John Lennonm, nascido em 1940, Ringo Starr, em 1940, Paul McCartney, em 1942 e George Harrison, em 1943), o grupo formou-se no fim da década precedente, adotando o nome fetiche em 1960.

Era o fim do rock and roll, inaugurado pelo “Deus de Memphis”, Elvis Presley, mas marca também o apogeu dos anos 1960, período de intensa criatividade cultural. E o final também de um período de 4 anos dominado por turnês que incluíram cerca de 1.400 apresentações em concertos de nível internacional. Na última digressão, o grupo teve uma série de contratempos, decorrentes da declaração de Lennon à jornalista Maureen Cleave do Evening Standard de que “os Beatles eram mais populares que Jesus”.
O comentário passou quase despercebido em Inglaterra, porém no outro lado do Atlântico começaram a ter demasiadas dificuldades e hostilidades por parte dos meios de comunicação norte-americanos, que incluíam queima de discos e boicote aos concertos por parte da Ku Klux Klan. Ainda mal tinham chegado a Chicago, a 11 de agosto de 1966, Lennon teve de pedir desculpas pelos seus comentários. Com todo este ambiente hostil, decidiram não continuar apresentar-se ao vivo. Já estavam enfastiados, sobretudo Lennon e Harrison. McCartney teve de dar-lhes razão. As turnês haviam mostrado perigosa para a sua própria integridade física.
No dia do último concerto tocaram ante aproximadamente 25 mil pessoas, o estádio tinha capacidade para 42,5 mil e o conjunto de canções durou somente 33 minutos.
O concerto começou às 21h27, e teve a seguinte playlist: “Rock and Roll Music”, “She’s a Woman”, “If I Needed Someone”, “Day Tripper”, “Baby’s in Black”, “I Feel Fine”, “Yesterday”, “I Wanna Be Your Man”, “Nowhere Man”, “Paperback Writer” e “Long Tall Sally”. Também se diz que no final John começou a tocar uns acordes de “In My Life”. Por tudo isto, a atuação em Candlestick Park passaria para a posteridade. Os fãs continuavam a se manifestar histericamente, entretanto ignoravam que este seria o último concerto.
O concerto foi gravado na sua quase totalidade a pedido de Paul, ficando cortada “Long Tall Sally” por falta de fita de gravação. Tony Barrow assessor de imprensa foi o encarregado de registrar o concerto numa gravadora de cassete Philips com um microfone Bayer. Barrow pode gravá-los diretamente dos alto-falantes gigantes. Sabe-se que uma fã de 15 anos filmou partes do show, um fragmento que se vê no documentário The Unseen Beatles. Até hoje não se sabe se o concerto foi filmado integralmente. À parte, há outro documentário intitulado “The Beatles Live In San Francisco” no qual pode-se apreciar os concertos que o grupo deu nesta localidade e entrevistas a várias pessoas presentes e o famoso fotógrafo Jim Marshall que captou fotos, inclusive dos bastidores.
A decisão de acabar com as digressões já havia sido tomada. Talvez por isso tanto John como Paul levaram consigo ao palco câmeras fotográficas para retratar para registros futuros dos membros da banda e o público.
Candlestick Park significou também o fim da loucura gerada pelos Beatles durante todos aqueles anos. A Beatlemania dos gritos ensurdecedores chegava ao seu final, porém Candlestick Park e sobretudo a cidade de San Francisco assistiriam ao início do movimento hippie. Um ano depois, o Monterrey Pop Festival o demostraria. Os Beatles não estavam presentes, porém em espírito acompanharam a muitas das bandas que se apresentaram.
John Lennon disse: “Na nossa última digressão traziam-nos cegos, deficientes físicos e crianças disformes aos nossos quartos e a mãe de uma criança dizia: Vamos, dê-lhe um beijo, possivelmente isto lhe trará a visão de volta. Nós não somos cruéis. Vimos demasiada tragédia em Merseyside, porém quando uma mãe grita somente toque nele que possivelmente ele volte a andar, queríamos correr, chorar, esvaziar nossos bolsos”.
Estas palavras de John soavam corretas, eles eram apenas seres humanos, no entanto os fãs chegaram ao extremo de endeusá-los pensando que tinham poderes curativos. Chegara o momento em que queriam levar uma vida normal, o que as digressões impediam.
George Harrison expressou o seu alívio no avião de regresso a casa: “Acabou, já não sou mais um Beatle”. A Beatlemania havia terminado em Candlestick Park para dar passagem aos anos em busca do aperfeiçoamento das suas canções no estúdio de gravação. Obras transcendentais vieram a seguir e que os mesmos Beatles se viam impossibilitados de tocar ao vivo, canções mais elaboradas e com arranjos mais cuidados.

Os Beatles construíram a sua reputação nos pubs de Liverpool e Hamburgo durante um período de três anos a partir de 1960. Sutcliffe deixou o grupo em 61, e Best foi substituído por Starr no ano seguinte. Abastecida de equipamentos profissionais moldados por Brian Epstein, que depois ofereceu para gerenciar a banda, e com o seu potencial reforçado pela criatividade do produtor George Martin, os Beatles alcançaram um sucesso imediato no Reino Unido com o seu primeiro single “Love Me Do”. Ganhando popularidade internacional a partir do ano seguinte, excursionaram extensivamente até 1966, quando retiraram-se para trabalhar em estúdio até sua dissolução definitiva em 1970. Cada músico então seguiu para uma carreira independente.
Durante os seus anos de estúdio, os Beatles produziram o que a crítica considera um dos seus melhores materiais, incluindo o álbum Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band (1967), amplamente visto como uma obra-prima. Quatro décadas após a sua dissolução, a música do grupo continua a ser muito popular. Os Beatles tiveram mais álbuns em número 1 nos tops britânicos do que qualquer outro grupo musical. De acordo com a RIAA, eles venderam mais álbuns nos Estados Unidos do que qualquer outro artista. Em 2008, a Billboard divulgou uma lista dos top-selling de todos os tempos dos artistas Hot 100 para celebrar o cinquentenário de singles dos Estados Unidos, e a banda permaneceu em primeiro lugar. Eles já foram honrados com 8 Grammy Awards, e 15 Ivor Novello Awards da BASCA. Segundo estimativas, já venderam entre 600 milhões e mais de 1 bilhão de discos em todo o mundo.
Os Beatles foram coletivamente incluídos na compilação da revista Time das 100 pessoas mais importantes e influentes do século XX.

Podem acompanhar tudo aqui:
https://filipemiguel.blog

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