Tratado de Zamora

A 5 de Outubro de 1143 foi celebrado um Tratado na cidade leonesa, homónima, de Zamora, desfecho da conferência de paz organizada pelo Arcebispo de Braga Dom João Peculiar e que teve como intervenientes Dom Afonso Henriques, Conde de Portucale e o seu primo Afonso VII, rei da Galiza, Castela e Leão, sob os auspícios do enviado papal, o Cardeal Guido de Vivo. O encontro destinou-se a resolver os conflitos que se arrastavam há algum tempo entre as duas partes.
Estavam em causa as ações de D. Afonso Henriques, que se intitulava “rei” e aproveitava a instabilidade política para alargar os seus territórios, fazendo inclusivamente incursões militares na Galiza.
A ameaça de uma guerra iminente na parte ocidental da Península Ibérica levou à intervenção do então o cardeal Guido de Vico, em representação do papa, e foi ele que conseguiu resolver a disputa de forma pacífica.
Nos termos do acordo assinado em Zamora, no dia 5, Afonso VII reconheceu a D. Afonso Henriques o título de rei mas este, em troca, declarou-se seu vassalo, enquanto imperador da Hispânia.

Com a assinatura deste tratado resultou, há 874 anos, o nascimento daquele que é considerado o mais antigo Estado-Nação do mundo ocidental: PORTUGAL.
De facto e de direito, Portugal não começou há 107 anos, isso foi a república portuguesa! Antes, durante 771 anos existiu o Reino de Portugal e dos Algarves. Portugal, País forjado à espadada e valentia por Reis e heróis extraordinários. O Reino de Portugal e depois, também, dos Algarves, e depois, também, d’Aquém e d’Além-Mar, com o seu desejo oceânico fruiu o Mundo e esses tempos de Glória de Portugal, não podem ser encarados como meras recordações, ecos ensurdecidos, pois em Monarquia ultrapassamos sempre as crises: granjeamos a Nação Portucalense, expulsamos os sarracenos, sobrevivemos à ocupação castelhana, às Invasões Napoleónicas com a sua política de delapidação e terra-queimada, sobrevivemos a Ultimatos e guerrilhas.

Como conseguiu D. Afonso Henriques alcançar este estatuto?
D, Afonso Henriques possuía duas qualidades fundamentais para atingir o sucesso político no contexto da época: era um excelente líder militar e possuía grande habilidade diplomática.
É evidente que o sucesso da emancipação de Portugal, como reino independente, dependia das circunstâncias e das conjunturas, mas D. Afonso Henriques e os seus conselheiros souberam aproveitá-las com máximo proveito.
Em primeiro lugar, o sucesso da guerra contra os muçulmanos era essencial; foi por isso que a batalha de Ourique, ocorrida alguns anos antes, foi um marco decisivo.
Afonso VII podia ser imperador, mas D. Afonso Henriques era a vanguarda da guerra contra o islão, o que lhe concedia sucesso e prestígio. Por outro lado, D. Afonso sabia escolher os momentos exatos para fazer a paz e a guerra ao rei de Leão, manobrando de forma hábil para obter o maior proveito.
Em Zamora, Afonso VII ter-se-á rendido à evidência de que era conveniente ceder e resolver o conflito de imediato, pensando talvez que mais tarde a situação pudesse ser revertida a seu favor.

Por isso, hoje, 5 de Outubro, os Monárquicos, e os Portugueses em geral, celebram o nascimento do Reino de Portugal, em 1143.
Neste Tratado de Zamora, ficou assente que Afonso VII de Castela e Leão concordava com a transformação do Condado Portucalense em Reino de Portugal com Dom Afonso Henriques com o título de ‘Rex Portucalensis’- Rei de Portugal, embora continuasse, apesar do reconhecimento da Independência, como vassalo do Rei de Castela e Leão, que se intitulava Imperador da Hispânia. Porém, caso único entre todos os Reis da Ibéria, dom Afonso Henriques nunca prestou essa vassalagem. A partir desta data, Dom Afonso Henriques passou a enviar ao Papa remissórias declarando-se vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente uma determinada quantia em ouro, pelo que, em 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, reconheceu Dom Afonso Henriques como Rex.

Alexandre Herculano escreveu que “o imperador reconheceu o título de rei que seu primo tomara, e que este recebeu dele o senhorio de Astorga, considerando-se por essa tenência seu vassalo. Não é menos provável que, ainda como rei de Portugal ficasse numa espécie de dependência política de Afonso VII, o imperador das Espanhas ou de toda a Espanha, como ele se intitulava nos seus diplomas”. Todavia, na Bula acima referida, o Papa ao aceitar que Dom Afonso Henriques lhe preste vassalagem directa, reconhece não só, definitivamente, a independência do Reino de Portugal, como o Rei de Portugal fica livre de prestar vassalagem ao Rei de Leão e Castela, imperador de toda a Espanha, porque nenhum vassalo podia ter dois senhores directos.

Assim sendo, tendo ganho a sua Independência e soberania enquanto Estado naquele 5 de Outubro de 1143, Portugal encontra-se a 26 anos de completar 900 anos de existência – que celebre a data já novamente como Reino é o nosso desejo.

Viv’ó Rei! Viv’á Monarquia!

VIVA PORTUGAL Independente e Soberano!

Podem acompanhar tudo aqui:
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