Dia de São João Leonardo

Hoje a Igreja celebra a memória litúrgica do padre São João Leonardo, padroeiro dos farmacêuticos e fundador da congregação dos padres leonardinos, instituto dedicado à educação popular.
Nascido na Toscana, em 1541, Leonardo levou uma vida normal como leigo durante a juventude, trabalhando no ramo farmacêutico junto com o pai até os 26 anos de idade. Estudou medicina em Lucca e mesmo estando distante dos olhos vigilantes dos pais, não se perdeu em meio aos divertimentos estudantis.
Adotou como guia espiritual o frade dominicano Bernardini, reuniu em torno de si alguns companheiros e com eles fundou uma associação juvenil, dedicada ao voluntariado de assistência aos idosos abandonados e a oferecer hospitalidade aos peregrinos. Porém quando tentou ingressar na Ordem Franciscana, foi recusado.
Quando o pai veio a falecer, decidiu abandonar o ramo farmacêutico e dedicar a vida inteiramente ao seguimento de Cristo. Já adulto, teve que entregar-se novamente aos estudos, retomando certas matérias do nível mais básico e elementar.
Juntou-se aos meninos para aprender latim e buscou uma formação em filosofia e teologia. Quatro anos mais tarde foi enfim ordenado sacerdote. Confiaram a ele a Igreja de São João dela Magione, onde colocou em prática um de seus projetos: instituiu uma escola para o ensino religioso.

Esse foi o primeiro núcleo da Congregação dos Clérigos Regulares da Mãe de Deus, cujos membros ficaram popularmente conhecidos como padres leonardinos. Era voltada para promover a educação popular e a vida sacramental. A sede localizava-se junto à Igreja de Santa Maria da Rosa.
A atuação desse instituto só foi oficialmente aprovada pela Igreja em 1593, enquanto padre João Leonardo estava exilado, impedido de retornar à cidade e cuidar da obra. Em 1584 realizou uma peregrinação até a França, ao Santuário de Nossa Senhora de Loreto.

A obra de São João Leonardo foi precursora da Obra da Propagação da Fé, fundada em Roma no ano de 1627, após a morte do santo, e que permanece atuante até os dias de hoje na Santa Sé. Outra grande obra inspirada em seu trabalho foram os Missionários Exteriores de Paris, criada em 1663.
Influenciado pelo Concílio de Trento, que buscava ser uma resposta da Igreja para a Reforma Protestante, São João Leonardo travou uma grande luta pela reforma eclesiástica do catolicismo na Itália, o que fez com que se tornasse um dos grandes nomes de seu tempo.
Acabou sendo repelido pelos próprios cidadãos de sua diocese, que erroneamente suspeitavam dele como um enviado da inquisição. Foi então abandonado por muitos religiosos que antes estavam a seu lado. Teve de sair da cidade e durante dez anos viveu exilado em Roma.

Nesse conturbado período, teve a oportunidade de construir uma estreita amizade com outros santos de seu tempo, como São Filipe Néri, São José Calasans, Camilo de Lellis e o sábio cardeal Barônio. Foi reconhecido e apreciado pelo Papa Clemente VIII, que tinha nele grande confiança e o enviou para diversas missões em seu nome, visando restaurar a disciplina religiosa de várias Ordens da Igreja, conventos e congregações.
Tratava-se de um tempo de decadência dos costumes, a Europa passava pela Reforma Protestante e diversos conflitos de caráter político e religioso. O entusiasmado trabalho do padre João Leonardo foi responsável por retomar os velhos e verdadeiros princípios do cristianismo – que para muitos integrantes da Igreja haviam se perdido em meio ao cotidiano.
Atuou em Nola, Nápoles e Montevergine, lugares onde se fazia necessário o diálogo e a intervenção de uma pessoa sábia e caridosa para restaurar o verdadeiro espirito da fé cristã. Incentivou a prática da comunhão frequente e a valorização da doutrina católica.
Em parceria com João Batista Vives, fundou um colégio para jovens sacerdotes que mais tarde se espalhariam como missionários pelo mundo todo, evangelizando e cuidando das vítimas de epidemias.

Seus últimos anos foram passados em Roma, onde faleceu no dia 08 de outubro de 1609. Seu corpo se encontra sepultado na cripta da Igreja de Santa Maria, em Campiteli.
Beatificado em 1861, teve sua canonização proclamada pelo Papa Pio XI no dia 17 de abril de 1938. Por ter dedicado a juventude ao ofício de farmacêutico, junto com o pai, antes de ingressar na vida religiosa, é invocado como padroeiro dos farmacêuticos.
São João Leonardo, rogai por nós!

Podem acompanhar tudo aqui:
https://filipemiguel.blog

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