Dia da Independência – Angola

Há 43 anos, o então líder do MPLA proclamava a Independência, “correspondendo aos anseios mais sentidos do Povo”.

Luanda, 00:00, 11 de novembro de 1975. Agostinho Neto proclama a Independência de Angola. Em plena guerra civil, naquela que viria a ser conhecida precisamente como a Praça da Independência, em Luanda, o líder do MPLA anuncia: “Em nome do Povo angolano, o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola, proclama solenemente perante a África e o Mundo a Independência de Angola.”

No discurso, Agostinho Neto falava do “longo caminho percorrido representa a história heróica de um Povo que sob a orientação unitária e correcta da sua vanguarda, contando unicamente com as próprias forças, decidiu combater pelo direito de ser livre e independente”, lembrando “a madrugada de 4 de Fevereiro de 1961” como o início da luta “contra a dominação colonial portuguesa”.

Com acusações dirigidas à UNITA, o líder quis deixar claro que “a nossa luta não foi nem nunca será contra o povo português”, e acrescentava que, “a partir de agora, poderemos cimentar ligações fraternas entre dois povos que têm de comum laços históricos, linguísticos e o mesmo objectivo: a liberdade”.

Na tarde do dia anterior, 10 de novembro de 1975, a bandeira portuguesa tinha sido arriada no Palácio do Governo pela última vez. Horas antes, o alto-comissário português Leonel Cardoso entregava Angola. No discurso, o contra-almirante anunciava: “Assim, Portugal entrega Angola aos angolanos depois de quase 500 anos de presença, durante os quais se foram cimentando amizades e caldeando culturas, com ingredientes que nada poderá destruir. Os homens desapareceram mas a sua obra fica”.

Leonel Cardoso garantia que Portugal partia “sem sentimentos de culpa e sem ter que se envergonhar”, deixando “um país de que se orgulha e de que os angolanos podem orgulhar-se”. E termina: “Viva Portugal! Viva Angola Independente!”.

Angola foi a última colónia portuguesa em África a conseguir a independência. Guiné-Bissau tinha chegado a acordo logo em setembro de 1974. Em junho tinha sido a vez de Moçambique e um mês depois, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

A 11 de novembro de 1975, Agostinho Neto concretizava assim o estabelecido no Acordo de Alvor, 10 meses antes. Nascia a República Popular de Angola. Em Portugal, o Diário de Notícias anunciava: “Angola Independente”.

Desses dias de festa, fica ainda a célebre história do bolo. No jantar de celebração da Independência, no Palácio, Agostinho Neto terá recebido de presente um bolo em forma de mapa angolano. Agradeceu, mas disse-se incapaz de cortar o país. Numa entrevista ao Jornal de Angola, Ovídio de Almeida Melo, primeiro embaixador do Brasil em Luanda, lembrava as palavras do líder do MPLA: “Como é que eu vou cortar Angola se eu passei a vida inteira lutando pela unidade de Angola?”.

Podem acompanhar tudo aqui:
https://filipemiguel.blog

Angola

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