Dia dos Veteranos – Estados Unidos

O dia dos Veteranos é um feriado oficial no calendário norte-americano, comemorado no dia 11 de novembro, que faz referência aos veteranos que serviram nas forças armadas dos EUA. De fato, se tem um ponto que os americanos reverenciam, estes são os veteranos das forças-armadas, que participaram ou não de algum conflito envolvendo os EUA ao longo dos anos.

Em termos de diferença, não podemos confundir com o Memorial Day, ali, os EUA fazem uma homenagem aos militares que morreram em combate ou enquanto serviam os EUA nos mais diversos países cuja presença militar norte-americana se faz presente (imagino eu que a lista dos países é enorme, talvez seja mais fácil fazer o exercício de quais os países que não tem presença militar americana, não é mesmo?).

Parece claro que o dia é de celebração e gratidão a todos os homens e mulheres que se esforçam, dia a dia, para manter os EUA protegidos contra as ameaças externas de seus inimigos. Naturalmente, podemos discordar (e faz até bem analisar sob esse prisma) desse tipo de homenagem, uma vez que, para muitos, os EUA não apenas atacam países sem justificativas plausíveis, como ainda mantêm um vastíssimo sistema de controla militar ao redor do mundo.

Porém, sem entrar neste mérito em si, o fato concreto é que eles fazem isso, pelo menos do ponto de vista da justificativa, para manter a segurança nacional. E não estão errados. Se pegarmos um rápido histórico de relações conflituosas nos últimos 50 anos, os EUA estiveram envolvidos em praticamente todas elas, as vezes atuando de forma mais incisiva em um conflito do que em outro.

Esse tipo de comportamento social faz parte da sociedade americana, em especial as mais tradicionais. É uma honra ter um filho nas forças armadas e as famílias tem orgulho de mostrar isso a todos. Faz parte de um cenário cultural interno que devemos respeitar. Não quer dizer que devemos gostar, é claro. Se analisarmos do ponto de vista histórico, os EUA sempre estiveram envolvidos em quase todos os grandes conflitos nos dois últimos séculos.

Naturalmente, após a 2 guerra mundial, o contexto que envolvia o mundo dividido entre capitalistas e socialistas, colocou, frente a frente, EUA e URSS numa disputa “invisível” pelo poder hegemónico que, em certos momentos, revelou-se uma enorme tensão, como é o caso emblemático da crise dos mísseis em Cuba, no ano de 1962.

Durante algumas semanas em outubro deste ano, o mundo viveu o momento de maior tensão até hoje em termos de uma possível guerra nuclear, com consequências inimagináveis. Felizmente, houveram acordos políticos e diplomáticos que evitaram um confronto direto entre as duas potências da época (saudades da minha época de professor). Para entender um pouco mais sobre esse debate, recomendo o filme “Treza dias que abalaram o mundo”, onde é possível ver o empenho dos líderes para evitar uma catástrofe, em especial, a atuação do próprio presidente Kennedy nestas negociações.

EUA mostram provas de mísseis em Cuba na Assembleia Geral da ONU, em novembro de 1962
Após esse evento da guerra fria, houveram uma “centena” de outros eventos que envolviam diretamente URSS e EUA, numa disputa ideológica sem fim (que hoje em dia, por mais absurda que possa parecer, ainda tem gente que insiste em colocar os pontos do socialismo na mesa como verdades supremas, diante da obviedade de sua não sustentação no longo prazo). Um dos marcos dessa disputa, foi a guerra do Vietnã, que teve início ainda em 1955 e terminou quase duas décadas depois.

Centenas de milhares de mortos, entre civis e militares, de todos os lados e das duas correntes que estavam no conflito. Aliás, mesmo que a URSS não estivesse na guerra diretamente, ela forneceu, junto com outras potências socialistas da época, bastante apoio logístico ao Vietnã do Norte durante este conflito.

Do ponto de vista histórico, esta é uma guerra entalada na garganta dos norte-americanos até hoje, uma vez que, pelo que a história e os fatos nos contam, os EUA perderam a guerra em si, pois não conseguiu alcançar os seus objetivos de “brecar” a expansão da corrente socialista na região. Assim, no geral, esta foi a única guerra onde, efetivamente, os americanos não saíram vitoriosos (como se numa guerra, existissem vitoriosos e perdedores?!!).

Enfim, existe ainda uma marca extremamente presente do Vietã nos EUA e um sentimento muito forte de saudação aos veteranos que dela participaram.
Certamente uma das imagens mais chocantes de todos os tempos, fruto do terror que foi a guerra do Vietnã, em especial a população civil, vítima da mais profunda crueldade do ser humano.

Muito embora os americanos tenham sido a favor da guerra em certos momentos, depois de algum tempo, muitas manifestações dentro dos EUA e fora dele ocorriam em defesa do fim da guerra. 20 anos de conflito causam estragos e marcas que são complicadas de se apagar até hoje.
Dando um pulo no tempo, colocamos os EUA no cenário recente das duas guerras no Oriente Médio, pós 11 de setembro de 2001. Nunca antes na história, a exceção de Pearl Habor, os EUA haviam sido atacados no seu próprio solo com a magnitude que foram os ataques comandados por Bin Laden e a rede terrorista Al Quaeda. Depois do 11 de setembro, entendo eu que o cenário bélico americano se reaqueceu e a necessidade da guerra como propulsor de uma indústria bélica faminta por novos campos, foram mais do que suficientes para colocar, novamente, os EUA envolvidos em duas guerra, praticamente simultâneas, com dois inimigos que, a priori, não ofereciam resistência alguma – Afeganistão (destruído nos anos 80 por infinitas guerras contra os soviéticos) e o Iraque, também sem muito poder diante das consequências da guerra do Golfo, no início dos anos 90.

Entendo que os EUA, com essas duas guerras pós 11/09/2011, consolidaram ainda mais a sua antipatia ao redor do mundo e não resta dúvidas que, do ponto de vista macro-econômico, elas representaram (e ainda representam) um enorme prejuízo as finanças internas deste país. Enquanto o mundo se preocupava com a expansão comercial e a China ganhava cada vez mais espaço, os EUA estavam em guerra contra o terrorismo……tudo em função da Segurança Nacional. Dizem por aí, e eu acredito piamente, que os EUA eram um antes dos ataques terroristas e se transformaram em outro após este evento.

Podem acompanhar tudo aqui:
https://filipemiguel.blog

Dia dos Veteranos

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