Roma antiga: Festival da Boa Sorte, em que era homenageada Fortuna, a deusa da sorte e da prosperidade

Sorte. Prosperidade. Sucesso. Mudança. Roda da vida. Ciclos. Destino. Esses são alguns dos atributos regidos pela Deusa Fortuna, que preside os acontecimentos e move a roda da vida com seus altos e baixos. Senhora absoluta no comando do leme de nosso destino, Fortuna nos traz sorte, esperança, prosperidade, vitórias e mudanças positivas.
A raiz de seu nome, “fero”, pode ser originária do latim e significa “trazer, ganhar ou receber”. Outra possibilidade seria a derivação da Deusa Etrusca Veltha ou Voltumna, cujo nome está ligado a ideias de giro e à alternância das estações.
Fortuna, atrás do volante conduzindo a viagem, também nos dirige ao acaso, à instabilidade, a surpresas repentinas e aos imprevistos. Os desafios apresentados por ela muitas vezes desnudam nosso orgulho e caprichos, convocando a necessidade de resiliência e fé.
Dessa forma, podemos interpretar a combinação das circunstâncias aleatórias que se apresentam no caminho como boa ou má sorte. Quando a Roda de Fortuna gira não sabemos onde irá cair, mas temos sempre a esperança e a expectativa de que ela pare no exato ponto em que vai nos trazer a boa nova!

Culto
Fortuna foi uma Deusa muito popular na Roma antiga, cultuada com diversos atributos, sendo eles domésticos ou públicos, de acordo com o tipo de circunstância e sorte que se desejasse alcançar. Há registros de amuletos pessoais, joias, quadros e estátuas relacionadas a ela.
Entre seus variados aspectos, a Deusa poderia ser retratada como “Fortuna Primigenia” (a primeira mãe, que dirige a sorte da criança em seu nascimento); “Fortuna Augusta” (a fortuna do imperador); “Fortuna Victrix” (que traz a vitória na batalha) ou “Fortuna Publica Populi Romani” (a boa sorte oficial do povo romano).
Seja honrada como Deusa pessoal, das mães, dos soldados, da prosperidade ou destino do império romano, ocorre que Fortuna possuía muitos templos e centros oraculares em sua homenagem. Podemos destacar o grande templo de Praeneste, hoje Palestrina, localizado a cerca de 20 km ao sudeste de Roma, e o oráculo em Antium, atual cidade Anzio na costa oeste da Itália.
Segundo Mirella Faur, as Deusas Pax, Concordia e Salus formavam o aspecto tríplice de Fortuna, reverenciada pelos imperadores romanos na coroação, em busca de proteção e prosperidade em seus reinados. Celebrada no dia 11 de abril durante o Festival Romano de Fortuna, era invocada pela população pedindo harmonia e boa sorte em todas as áreas da vida, tanto no âmbito particular como também para a coletividade.
No panteão grego, equivale a Tyche, Deusa da sorte, da fortuna e Senhora do destino, que conferia a cada pessoa seu Anjo da Guarda e sua psique. Com a deterioração dos costumes, foi transformada na padroeira dos jogadores, batizada como Senhora Sorte e chamada antes das corridas ou dos jogos.

Símbolos
Em sua representação mais comum, Fortuna aparece segurando a cornucópia, uma espécie de “corno da abundância” de onde todas as coisas boas fluem, simbolizando o aspecto da Deusa que concede prosperidade e boa sorte. Traz também nas mãos o leme de um navio, que retrata seu governo sobre nossos destinos e os acontecimentos.
As imagens ainda a apresentam no comando de uma roda, como representação dos ciclos, da instabilidade e dos altos e baixos da vida gerados por ela. Às vezes Fortuna revela-se cega, podendo indicar que suas bênçãos chegam a todos, sem distinção, ou que distribui suas graças de acordo com a sorte.

A Roda de Fortuna
Roda_FortunaEstudos demonstram que, mesmo com o advento do Cristianismo, há registros da simbologia da Roda de Fortuna na arte, poesia e filosofia durante toda a Idade Média. Ela aparece tanto em manuscritos quanto nos vitrais das catedrais. Um destaque da época seria o livro Consolação de Boécio, onde o filósofo reflete acerca da visão teológica cristã sobre o acaso e a providência divina, análise que aponta Fortuna como uma serva da vontade de Deus e acaba por fortalecer sua figura popular de Senhora do Destino.
Na verdade, desde a Roma antiga, o arquétipo de Fortuna está presente em nossa vida e permanece nos tempos atuais. Ela aparece no décimo Arcano Maior do Tarô, intitulado a Roda da Fortuna. Habitualmente, a simbologia da roda baseada no modelo medieval mantém a imagem da Deusa girando uma roda, que contém em sua circunferência a representação de quatro estágios da vida, com quatro figuras humanas. No lado esquerdo um rosto sorrindo (eu reinarei); no lado superior um coroado, franzindo a testa (eu reino); descendo para a direita, um rosto metade branco metade preto (eu reinei); e embaixo um rosto preto, humilde (eu não tenho nenhum reino).
Essas representações figuram a instabilidade, os altos e baixos e os ciclos da vida. Na leitura do Tarô, o Arcano 10 nos depara com os variados atributos de Fortuna, como sorte, movimento, mudanças, imprevistos, acaso e destino.

Em conexão com Fortuna
A sacerdotisa da Teia de Thea, Juliana Giraldes Delaix, faz um breve relato sobre a experiência de ter Fortuna como a regente de seu ano pessoal em 2016. “A instabilidade era algo muito presente em meu dia a dia. Aconteciam coisas muito boas, surpresas positivas. Mas, de repente, o cenário mudava e eu tinha que me adaptar rapidamente a novos imprevistos. Sentia, realmente, tendo que reorientar sempre o leme da minha vida”, conta ela.
Apesar dos desafios, a virada da roda sempre nos apresenta à possibilidade de transformações e de inaugurar novas fases em nossas vidas. Vivenciar a Roda da Fortuna é também fazer contato com as contradições que estão dentro de nós, aprender a rir de nossos defeitos, admitir fraquezas e a nos abandonar ao destino.
Ao depararmos com a impermanência ou bloqueios em determinada altura do caminho, algumas perguntas podem ajudar a entendermos em qual fase dos ciclos estamos e a nos manter centradas. É possível redefinir meus objetivos? Estou repetindo algum padrão negativo? Sou capaz de acolher o novo e me abrir ao desconhecido? A mudança atual faz parte de uma transição maior? Já passei por alguma situação parecida e hoje reconheço que ela era a conclusão ou o início de um ciclo?
Podemos ainda nos conectar com os atributos positivos de Fortuna, pedindo que suas bênçãos nos abram para a prosperidade e abundância. Que ela gire a roda de nossa vida, trazendo mudanças positivas e sorte ou que mantenha um bom fluxo contínuo em nossas finanças e trocas afetivas, por exemplo.
Em seu livro O Anuário da Grande Mãe, Mirella nos ensina a atrair a ajuda da Deusa usando cores que indiquem para Fortuna aquilo que queremos alcançar: verde para a prosperidade; azul para a tranquilidade; vermelho para força e sucesso; amarelo para a comunicação e criatividade; dourado para a boa sorte e púrpura para a espiritualidade.
Outra prática é assarmos alguns biscoitos de aveia e mel, impregnando na massa a energia mágica dos objetivos que buscamos alcançar. Semelhantes aos biscoitos da sorte chineses, riscamos neles desenhos auspiciosos e compartilhamos com amigos e pessoas queridas. Todo o processo deve ser feito dentro de uma atmosfera de celebração, com o coração vibrando na certeza de que nossas conquistas já foram alcançadas!

*Com fotos e pesquisa da Internet
Texto original publicado no Jornal Deusa Viva (Abril/2017) da Teia de Thea, um Círculo de Mulheres conduzido por Mirella Faur
Texto protegido pela Lei do Direito Autoral nº 9.610/98.
Compartilhe com os créditos.

Podem acompanhar tudo aqui:
https://filipemiguel.blog

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