Dia de São Zenão de Verona

Oriundo da Mauritânia, são Zenão (ou Zeno) foi bispo de Verona desde 362, em um período no qual começavam a surgir nos desfiladeiros alpinos as tribos germânicas, depois contidas pelas legiões romanas. São Zenão teve de combater não só os bárbaros que, “dando as costas para as gélidas florestas do norte, cruzaram os Alpes para se aquecerem aos raios dourados da alegre Itália” – como escreve o poeta alemão Heine -, mas também os mais temíveis arianos, provenientes do leste, instigadores de graves desordens na Igreja veronesa.
Como Agostinho, outro grande contemporâneo africano, também Zenão era hábil retórico, um cinzelador de belas frases e de boa argumentação, das quais se valeu em sua pregação para convencer os últimos pagãos e os novos hereges. Disso dão fé os 16 sermões que nos chegaram, os quais tratam de temas novos, como a mariologia, ou falam de virtudes particulares, como a humildade, a pobreza e a caridade, e temas debatidos, como a doutrina trinitária, que Agostinho desenvolveria ulteriormente com um volumoso tratado.
As prédicas do bispo de Verona (fala-se de 93 sermões, em grande parte perdidos) são verdadeiros tratados dogmáticos, morais, cristológicos e bíblicos, escritos em um latim “quente e conciso”, com aquele seu “proceder sentencioso, nos jogos de palavras e imagens, naqueles largos desenvolvimentos oratórios, nos quais a alma do santo transfunde toda a impetuosidade de entusiasmo e da indignação…”, como escreve Guilherme Ederle, durante anos arcipreste da basílica.
Era natural que muita gente assistisse a suas prédicas – em particular os neoconvertidos e os próprios pagãos -, atraída por hábil oratória. Pregava bem e sabia acompanhar o ensinamento com o exemplo de caridade, humildade, pobreza e liberalidade com os pobres. Para os veroneses é “são Zenão que ri”; ele é de fato representado sempre sorridente, pois que ‘cum mansuetudine et ilaritate docebat’, ensinava com mansidão e alegria. Era o bom pescador de almas, mas também de peixes, nas margens do Ádige, como aparece em um dos preciosos azulejos do portal da basílica romântica que traz seu nome.
Apoiando-se sobre uma indicação deixada por São Gregório, o Grande, o martirológio romana dá a Zeno o título de mártir, quando de Galiano. Por outro lado, uma carta de Santo Ambrósio a Siagrios, que foi sucessor de São Zeno na Sé de Verona, falando das altas virtudes do nosso santo, e da bem-aventurada morte que teve, não deixa entrever qualquer traço de que tenha sido martirizado.
Zeno tornou-se bispo de Verona em 362, quando Juliano, o Apóstata, reinava. Africano de nascimento e das pagãs superstições. De imensa caridade para com os pobres, consigo mesmo era duma severidade sem par. Paciente, humilde, cheio da verdadeira solicitude pastoral, aplicou-se com afinco para inspirar ao povo de Verona a doçura para com a pobreza. E dizia:
– Dando vosso dinheiro aos pobres, amealhais grande tesouro, interesses imensos nos céus. Assim, tirareis um proveito considerável de vossos tesouros sem excitar a inveja.
Cuidando da formação dos clérigos para o serviço dos altares, deixou sábias diretrizes às virgens consagradas a Deus e combatei as desordens ocasionadas pelos banquetes, de caridade celebrados por ocasião das festas dos mártires. Depois dum episcopado, tanto vigoroso como prudente, São Zeno de Verona faleceu no ano de 371, indo, no céu, receber a merecida paga pelos excelentes trabalhos que desenvolvera com incansável atividade.
O emblema do peixe, que lhe atribuem como característica, é interpretado como um índice da pobreza que sempre decantou, já que era homem reduzido a assegurar a própria subsistência, pescando, como dizem, pescava nas águas do Adigio. Melhor, supomos, seria dizer que fora o símbolo da pesca apostólica, aquela que, com denodo e diligência, realizou na conversão dos pagãos. Um pescador, mas como Pedro, um pescador de homens.
Teria São Zeno pelo Adigio alguma grande afeição? Vai, no que segue, apenas um incentivo ao povo de Verona, para que mais, para com o santo, aumentasse de devoção?
O rio, em 588, numa enchente, transbordou. E as águas, sempre crescendo, subiram sem cessar, até que passaram a ameaçar uma igreja dedicada a São Zeno, justamente aquela em que lhe repousava o corpo. E as águas, escachoando e ondeando, subindo pelas paredes do templo, quando chegaram às janelas, pararam. E a porta, que estava aberta, ficou vedada às águas, que não entraram igreja a dentro, miraculosamente.
Padroeiro de Verona, São Zeno, é festejado em várias datas: 12 de Abril, 8 de Dezembro e 21 de Maio.

Podem acompanhar tudo aqui:
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